Uma das causas de mau humor, nervoso e irritabilidade é a fome. Trata-se de uma sensação estressante ao organismo, a qual não fomos programados para ter.  Sendo assim, o ato de nos alimentarmos já promove bem-estar, conforto e prazer. Comprovadamente, também podemos ter uma ação relaxante, especialmente quando consumimos os chamados alimentos calmantes.  

A dica vale, sobretudo, se os alimentos forem fontes destes nutrientes:

  • Biotina

É uma vitamina hidrossolúvel que faz parte do complexo B, bastante estável aos processos de cozimento e industrialização alimentar, porém suscetível à oxidação. Esta é parte essencial em várias reações do nosso organismo, sobretudo no metabolismo de carboidratos e proteínas.

Além disso, ela ajuda bastante o sistema neurológico a funcionar melhor, fortalecendo a capacidade neuronal. Há estudos que demonstram sua função importante no tratamento de Alzheimer. As principais fontes são gema de ovo, fígado, soja e banana.

  • Lactucina

É uma substância calmante presente, principalmente, na alface. Ela é semelhante ao ópio.

  • Triptofano

O triptofano é um aminoácido essencial, que deve ser ingerido para manter o equilíbrio do corpo. Dentre as funções mais importantes devemos destacar a produção de serotonina, que ocorre com a ingestão de carboidratos, que estimulam a passagem do triptofano, diminuindo a ansiedade e promovendo a sensação de bem-estar.

A serotonina é uma substância do sistema nervoso que transmite mensagens entre células, podendo ser também considerada o Prozac natural do ser humano, uma vez que atua diretamente no humor.

As melhores fontes são banana, cacau, peixes, aves, cereais integrais, castanha-do-

Pará, semente de abóbora, ervilhas, figo, iogurte natural e aveia.

  • Ácido fólico

Proporciona o equilíbrio das funções cerebrais, saúde mental e emocional por conta de seu envolvimento na formação de tetrahidrobiopterina, que atua como coenzima na síntese de neurotransmissores.

Alimentos calmantes
Alface é fonte de lactucina. Foto: iStock, Getty Images

Ácido fólico + vitamina B6 + magnésio = síntese de triptofano

Essa combinação possui substâncias e vitaminas que atuam de forma eficiente no nosso sistema nervoso central, fazendo com que os níveis de estresse e agitação se equilibrem. Claro que a simples ingestão do alimento pode não fazer qualquer efeito caso a pessoa esteja cercada de comportamentos estressantes.

A alimentação é apenas um fator que pode auxiliar (bastante) para acalmar. As vitaminas do complexo B também são importantes ao funcionamento adequado do sistema nervoso e nos ajuda a lidar com o estresse. As principais fontes são carnes magras como peixes, aves e carne vermelha, leguminosas, oleaginosas.

O magnésio também é um mineral que ajuda no relaxamento muscular e nervoso, além de atuar no metabolismo dos ácidos graxos. Pode ser encontrado na castanha-do-Pará, leguminosas, cereais integrais e vegetais em tons escuros de verde.

O selênio também é outro mineral que ajuda bastante na conversão do triptofano em serotonina, e melhora o humor. Já os ácidos graxos são essenciais para a química cerebral e para os neurotransmissores que estão envolvidos no processo de modulação do estresse. Suas principais fontes são linhaça, oleaginosas, salmão, azeite de oliva, peixes de água fria.

As quantidades devem ser calculadas mediante as necessidades individuais. Como já dito, não basta só ingerir o alimento. A tranquilidade e a calma vem de dentro para fora e depende de uma série de outros fatores.

Caso a pessoa consuma todos os alimentos acima indicados, mas continue sem controlar sua ansiedade, seu estresse, seus comportamentos e estilo de vida, em nada irá adiantar. A alimentação pode auxiliar bastante, mas sozinha não faz milagres.

Drª. Juliana Rossi Di Croce

Nutricionista graduada pela Universidade Cruzeiro do Sul; Bacharel em Direito pela Fundação Armando Álvares Penteado São Paulo; Colaboradora dos livros Saúde & Sabor com Equilíbrio Receitas Infantis e Saúde & Sabor com Equilíbrio – Receitas Diet e Light – Volumes I e II; Sócia da Clínica Equilíbrio Nutricional. Juliana é parceira do Doutíssima e escreve para o site periodicamente.