As dermatofitoses, uma das primeiras micoses conhecidas da humanidade, comumente ocorrem no mundo todo, apresentando uma maior prevalência em países de clima tropical e subtropical. Essas áreas possuem elevados níveis de temperatura e umidade relativa, que fornecem condições favoráveis para o desenvolvimento fúngico.

Estudos epidemiológicos indicam que as dermatofitoses figuram entre as doenças micóticas de maior ocorrência, sendo consideradas o terceiro distúrbio dermatológico mais frequente em crianças menores de 12 anos e o segundo em adultos. São ocasionadas por fungos filamentosos pertencentes aos gêneros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. Popularmente, quando nos pés, são conhecidas como pé de atleta e também incluem a maior parte dos casos de micose de unha.

Como identificar as dermatofitoses

As dermatofitoses compreendem uma extensa variedade de condições e sintomas distintos, que se manifestam inclusive em animais. O quadro clínico mais comum inclui despigmentação, placas anulares, coceira e perda de cabelo, ou seja, lesões tipicamente cutâneas conhecidas pelo nome genérico de tinhas (do latim tinea). As modalidades dermatofíticas mais relevantes são: tinea capitis (couro cabeludo), tinea corporis (corpo), tinea cruris (grandes pregas), tinea unguium (unha), tinea barbae (barba), tinea manuum (mãos) e tinea pedis (pés), como representadas na figura 1.

Vale ressaltar que nos casos de onicomicoses não apenas os dermatófitos podem estar ocasionando a micose nas unhas, como também leveduras e outras espécies de fungos filamentosos. Em pacientes imunocompetentes, as lesões dermatofíticas, apresentadas nas diferentes formas clínicas, não são graves em termos de mortalidade, porém ocasionam consequências clínicas consideráveis, com lesões cutâneas crônicas de difícil tratamento, afetando a qualidade de vida das pessoas, que podem sofrer até mesmo discriminação social.

dermatofitoses
As dermatofitoses, também chamadas de tinhas, são causadas por fungos. Foto: iStock/GettyImages

Tratamento para as dermatofitoses

A escolha do tratamento mais apropriado para as dermatofitoses é determinada pela extensão da infecção, pelo local afetado e pela espécie dermatofítica envolvida em cada caso, tão bem quanto pela eficácia, perfil de segurança e biodisponibilidade dos antifúngicos disponíveis. A terapêutica pode ser conduzida topicamente, sistematicamente ou associando-se ambas as formas, combinadas ou não a antibacterianos, substâncias queratolíticas, bem como a remoção de restos de escamas e pelos infectados.

Os antifúngicos tópicos aplicados localmente nas lesões podem ser apresentados sob a forma de gel, cremes, esmalte ou pomadas. Esse tipo de tratamento pode ser utilizado como apoio à terapêutica oral e como profilaxia, a fim de evitarem-se recidivas. Os antifúngicos da linha tópica atrasam o crescimento dos dermatófitos e, geralmente, são bem tolerados e requerem somente uma aplicação diária.

A terapia tópica faz-se muito útil no caso de lesões limitadas, superficiais e situações como gravidez, lactação ou para se evitar interações com outros fármacos orais. Mais comumente são utilizadas formulações à base de tintura de iodo ou cremes e soluções de cetoconazol, isoconazol, miconazol, clotrimazol, bifonazol, terbinafina e ciclopirox olamina (incluindo nesse caso o esmalte), sendo esse último bem popular na prática clínica para o tratamento tópico, em especial de onicomicoses dermatofíticas.

O tratamento sistêmico oral é realizado principalmente pelo uso da terbinafina (um dos antifúngicos mais conhecidos para tratar dermatofitose), griseofulvina e derivados azólicos, os quais possuem importante atividade antidermatofítica.

Prevenção

Em relação à prevenção e controle das dermatofitoses incluem-se medidas simples de higiene pessoal e sanitária, tais como manter sempre hábitos higiênicos corpóreos adequados, secar bem as dobras e espaços entre os dedos dos pés pós-banho e evitar sapatos muito apertados que retenham suor.

Devem ser de uso pessoal e intransferível pentes, escovas e toalhas, sendo que o cuidado tem de ser maior ainda por atletas. Deve-se evitar contato muito próximo com indivíduos e animais infectados e, sobretudo deve-se realizar uma limpeza periódica de pisos e paredes, principalmente de locais públicos.

Ocasionalmente, para evitar que animais doentes transmitam dermatófitos para os outros, eles devem ser isolados até que a infecção tenha sido eliminada. Esse tipo de micose frequentemente ocorre em gatos e cachorros domésticos (figura 2), transferindo-se para crianças que tem contato com esses animais, logo o cuidado tem de ser redobrado nesses casos.

A saber, encontram-se ainda vacinas disponíveis em alguns países para animais, e específicas contra determinados dermatófitos, tais como T. verrucosum e T. mentagrophytes – para o gado, raposas, chinchilas e coelhos; T. equinum – para cavalos e M. canis – para cães e gatos.

 
MsC. Daiane Dalla Lana é farmacêutica graduada (UFSM), com capacitação em Homeopatia e Mestre em Ciências Farmacêuticas (UFRGS). Atualmente, é Doutoranda em Ciências Farmacêuticas pela UFRGS, com especialização em Análises Clínicas em andamento pela AVM Faculdade Integrada. Possui experiência nas áreas de Produtos Naturais, Análises Clínicas e Controle de Qualidade de Matérias-Primas e Produtos Acabados (medicamentos, cosméticos e correlatos). No presente momento, atua na área de Microbiologia com ênfase em Micologia Clínica Aplicada. Desenvolve pesquisas relacionadas à prospecção de compostos sintéticos com atividade contra fungos patogênicos multirresistentes, caracterizando o mecanismo de ação e avaliando a toxicidade de novas moléculas bioativas.

 

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