Pelo sétimo ano consecutivo, é celebrado em 70 países diferentes o Dia Mundial de Prevenção de Gravidez na Adolescência. A iniciativa tem como objetivo conscientizar sobre a importância do uso de contraceptivos e saúde reprodutiva.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), anualmente, cerca de 15 milhões de adolescentes ficam grávidas em todo o mundo. Os números impressionam ainda por cerca de 33% desse total ter tido a primeira relação sexual antes mesmo dos 16 anos. A preocupação existe ainda pelo fato de apenas trinta por cento dessas jovens mães continuarem a freqüentar a escola, após terem o primeiro filho. Esse abandono dos estudos colabora ainda para a falta de informação em relação aos métodos contraceptivos e todas as doenças sexualmente transmissíveis, as quais elas estão sujeitas a contrair, caso não se protejam.

A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública e informação é fundamental para ajudar nessa prevenção. (Foto: Istock)
A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública e informação é fundamental para ajudar nessa prevenção. (Foto: Istock)

A gravidez na adolescência no Brasil

A cada quatro partos que acontecem no Brasil, um é realizado em adolescentes. Pesquisas apontam ainda que, um quarto das mulheres que iniciaram a vida sexual entre os 15 e 24 anos não usaram anticoncepcionais. Segundo a ginecologista e obstetra, Dra. Ana Lucia Beltrame, é exatamente a baixa aderência a esses métodos que contribuem para as altas taxas de gravidez nessa faixa etária: “É comum ouvir relatos de meninas que não tomam o remédio todos os dias, se esquecem de manter a regularidade no horário ou que tomam de maneira errada, abusando, por exemplo, das pílulas do dia seguinte”, explica. A médica alerta ainda sobre a importância do uso do preservativo, indispensável em qualquer idade e tipo de relacionamento.

Para a médica, o principal papel da campanha é falar abertamente sobre a importância da prevenção, uma vez que, segundo ela, grande parte das gestações na adolescência não é programada e acontece por falta de informação e baixa aderência ao uso dos métodos contraceptivos mais utilizados. “Falar abertamente sobre o assunto é importante e é necessário deixar de lado os tabus. Sabe-se que 40% das adolescentes entre 15 e 18 anos já tiveram a primeira relação sexual, por isso é preciso que as meninas freqüentem o ginecologista desde a primeira menstruação, pois ele será a principal fonte para que ela entenda sobre o método contraceptivo mais adequado e como se prevenir de doenças sexualmente transmissíveis”, explica.

Pesquisa revela números da gravidez na adolescência

No primeiro semestre deste ano, o Programa Estadual de Saúde do Adolescente de São Paulo promoveu uma pesquisa no Ambulatório de Puericultura da Casa do Adolescente de Pinheiros, com 454 mães adolescentes, de idade média de 17,5 anos. A pesquisa revelou que apenas 40% desse total utilizaram ou ainda utilizam métodos contraceptivos.
Foi constatado ainda que 388 mães entrevistadas tiveram apenas um filho, enquanto 57 tiveram dois bebês. Para completar, 14% das mães entrevistadas disseram ter vontade de engravidar novamente um dia.

Por fim, o estudo revelou que apenas 2% dessas adolescentes concluíram o ensino superior.

E você? Conhece alguma adolescente que já é mãe? Ajude a alertas as meninas sobre a importância da proteção e informação sobre tudo o que envolve a vida sexual delas. E para saberem mais sobre sexo e saúde da mulher, acompanhem o Doutíssima.