Hoje é celebrado o Dia Mundial da Conscientização sobre a Trombose, data que reforça a importância da prevenção do Tromboembolismo Venoso (TEV) em hospitais. Isso porque, segundo a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia, a doença é a principal causa de mortes evitáveis nestes ambientes, representando 60% dos casos ocorrem durante ou após internação. Entenda melhor os sintomas de trombose e suas causas.

Entenda o que é a trombose e como evitar a doença. (Foto: Istock)
Entenda o que é a trombose e como evitar a doença. (Foto: Istock)

Sintomas de Trombose: O que é  a doença e como evitar?

A cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita explica que o termo se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um “trombo”, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. “Esse coágulo causa uma inflamação na parede do vaso e é chamado de Trombose Venosa Profunda (TVP). Quando esse trombo se solta e se desloca até o pulmão, ele é chamado de Embolia Pulmonar (EP) e em muitos casos é fatal”, esclarece.

Os principais sinais de uma trombose venosa profunda são: dor, calor, sensibilidade, inchaço e vermelhidão nas pernas. “Já com relação à embolia pulmonar, temos a falta inesperada de respiração ou a respiração rápida, a dor no peito e a frequência cardíaca”, completa a médica.

A doença atinge principalmente pacientes que estão internados, após passarem por alguma cirurgia, uma vez que estes ficam muito tempo imóveis. Isso gera uma deficiência na circulação sanguínea. No entanto, a especialista alerta que o problema atinge ainda pessoas que não estão hospitalizadas: “A panturrilha é o coração das pernas. A cada contração muscular bombeamos o sangue e ativamos a nossa circulação. Situações onde essa musculatura fica parada muito tempo podem causar uma retenção de líquido nas pernas, levando a inchaço, pernas pesadas, cansadas e aumentando a predisposição de desenvolver varizes e trombose venosa“.

Como a doença é causada por essa retenção de líquidos, a melhor forma de evitar a doença é introduzir no seu dia a dia hábitos para ativar a circulação. Alguns exemplos disso são:

– Realizar exercícios movimentando os pés a cada hora de trabalho sentado;
– Levantar a cada hora e andar para movimentar um pouco as pernas;
– Para alguns casos, usar meias de compressão para conforto e melhor rendimento.

Outros fatores aumentam o risco de trombose

Abortamento recorrente
Acidente vascular cerebral
Câncer
Cateter venoso central
Doença inflamatória intestinal
Doença pulmonar obstrutiva crônica
Idade maior que 55 anos
Infecção
Insuficiência arterial periférica, cardíaca ou respiratória
Obesidade
Internação em UTI
Paralisia dos membros inferiores
Quimioterapia
Reposição hormonal
Tabagismo
Varizes
Insuficiência venosa periférica
Intecedente familiar de trombose
Anticoncepcional hormonal.

É preciso largar o anticoncepcional para evitar trombose?

Segundo a cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita, em 2011 o FDA (agência que regula drogas americanas) discutiu o risco que novas pílulas anticoncepcionais tem em relação à trombose, o que foi incluído nas bulas. Isso porque a incidência de 12,5 casos a cada 100 mil mulheres que utilizavam hormônios anticoncepcionais passou para 30,8 casos após a introdução das pílulas mais modernas.

Um estudo publicado na revista especializada The BMJ Today e que foi conduzida por pesquisadores britânicos, mostra que as mulheres que tomam contraceptivos orais combinados, que contêm drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona, têm um risco de trombose venosa quadruplicado em relação àquelas que não tomam pílula.

No entanto, a especialista tranquiliza, afirmando que a incidência ainda é considerada baixa e que os benefícios da pílula ainda superam os seus riscos. “Antes de se iniciar o uso de anticoncepcional, o ginecologista deve fazer uma avaliação completa analisando qual o melhor hormônio a ser utilizado. Ele ainda leva em consideração as características individuais de cada paciente. Daí a importância de uma consulta médica. A escolha do anticoncepcional não pode ser banalizada”, alerta.

A médica explica que a grande maioria dos casos onde há uma complicação de trombose ligada a algum outro fator, como:

Idade acima de 35 anos
Excesso de peso ou obesidade
Varizes nas pernas
Tabagismo
Câncer
Imobilismo
Trombofilias (causa hereditária)
Traumas, especialmente nos membros inferiores e que requeiram redução de mobilidade temporária
Doenças crônicas, como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica
Uso de medicamentos como quimioterápicos

Diante disso, a médica reforça que não tem razão de entrar em desespero e interromper o uso da pílula por medo de desenvolver trombose. “Consulte seu médico de confiança e discuta o seu anticoncepcional. Toda medicação está sujeita a complicações e a decisão se o risco benefício dessa droga vale a pena é feito entre você e o seu médico”, conclui.
Para saber mais sobre saúde, não deixe de acompanhar as matérias do Doutíssima!